Bem-vindo de volta, 2016. A nostalgia em ciclos menores, que chegou ao cardápio.
A era pré-COVID, sem excesso de IA e sem algoritmo dominando a vida, virou o novo "conforto" e os restaurantes estão colocando isso no prato.
Com tanta novidade, informação e IA, as pessoas estão encontrando na nostalgia o conforto e a simplicidade que sentem falta. Tendências culturais e estéticas de décadas passadas voltam à moda depois de um tempo, movidas por conexão emocional e desejo de recuperar essa simplicidade. E o interessante é que esse ciclo está cada vez mais curto: crianças e pré-adolescentes hoje cantam músicas dos anos 2000, usam roupas, cores e casacos que "voltaram" e o mesmo movimento está acontecendo na comida.
Uma matéria recente do Restaurant Business coloca números nisso: o ciclo da nostalgia, que historicamente durava de 20 a 30 anos, encolheu para 10.
Na prática, o que era tendência em 2016 já está voltando. Spotify registrou um aumento de 790% em playlists geradas por usuários com "2016” no nome desde 1º de janeiro , um sinal de que a nostalgia por essa época é um movimento cultural mais amplo, e não só um capricho do setor de restaurantes.
Por que justo 2016?
2016 é distante o suficiente para parecer outra época, mas perto o bastante para ser lembrado com carinho. É a era pré-COVID, sem excesso de IA, sem notificação constante, sem algoritmo dominando a vida, é a "era da simplicidade" que as pessoas sentem falta hoje. Muito se explica pela vontade cada vez maior das pessoas terem conforto.
Nostalgia e alimentação sempre andaram juntos
Nostalgia e alimentação, na verdade, sempre andaram juntas. Está nas lanchonetes com estética anos 60, no nome de pratos e restaurantes que remetem à "Nonna" ou à "Mama", nos clássicos que nunca saem do cardápio porque o cliente não deixa. A novidade agora é outra: trazer apenas uma década inteira de volta de uma vez. Isso é um desafio, mas também é oportunidade, e não é um movimento restrito à Gen Z, como se poderia imaginar. Foi apostando nisso que algumas redes saíram na frente, e o resultado está aí para provar que vem dando muito certo.
Quem já está fazendo isso e funcionando
Marcas grandes perceberam o movimento e já estão surfando essa onda de forma bem intencional.
A Panera lançou em janeiro um "menu 2016", resgatando itens que fizeram sucesso na época, como o Bacon Turkey Bravo e o Broccoli Cheddar in Bread Bowl.
O Taco Bell criou o "Decades Menu" com os hits de 2016 e foi além: fez parcerias com marcas que remetem à época e deu acesso antecipado a um app de vídeos curtos inspirado no Vine.
A Starbucks trouxe de volta o Unicorn Frappuccino e bateu recorde de vendas na América do Norte, mais de 2 milhões de bebidas vendidas em um único fim de semana.
O dado que sustenta a estratégia
Não é só percepção. Segundo a Technomic, marketing com apelo nostálgico pode aumentar a intenção de compra em até 50%. E um relatório da agência Collider Labs (do grupo Yum Brands) fala em "economia emocional": o consumidor, pressionado por preços altos e excesso de opções, decide não só o que comprar, mas como aquilo o faz sentir.
A oportunidade para o restaurante
Os restaurantes têm uma capacidade gigante de trazer a nostalgia, mesmo que de forma inconsciente. Mas isso também se mostra uma oportunidade concreta de trabalho estratégico em comunicação, contando a história da marca ou resgatando campanhas antigas; em menu, revivendo pratos ou versões de sucesso; e em branding, com embalagens, cores e tom de voz que remetam a um período querido pelo público.
A pergunta não é se a nostalgia vai aparecer no seu negócio ela já aparece, de forma espontânea, todos os dias. A pergunta é se você vai deixar isso acontecer por acaso ou vai usar isso a favor da sua marca.